Amor é ver a desilusão, é morrer, é segurar as minhas mãos em mim. O que morre é a essência dos sonhos. O ser é imortal. O apoio e a segurança que meu corpo me dá sustenta a pele, me faz viver. O que floresce é minha pele, tudo em mim. O desnecessário é a essência de Deus. Foi pelo desnecessário que Deus criou a vida. Sou luz, vida onde o céu desaparece para me sentir. O céu é necessário a Deus, não a mim. A vida intervém na morte. Minhas mágoas são de céu ou são minhas mágoas? Como chora meu corpo no buraco que a pele deixa em mim. Evaporar é estar viva. Eu amo além de mim. Além de mim, eu sou eu. O sono é a eficácia do amor. Não basta estar viva. Tenho que me mostrar viva e deixar o céu no céu. O nada é uma necessidade da emoção que atravessa as paredes para me emocionar. Por que não sair pelas paredes? Estou presa. Presa como um pássaro a voar e a luz do céu invade meu amor. O céu é a cortina que cai. Nada me segura, mesmo presa. Não tenho pressa de ser eu. Há muito para viver sem mim. Vivo sem mim. Tanto tempo perdido em viver que não sei o que é viver. Sei apenas que Deus existe: isso é viver.
