Blog da Liz de Sá Cavalcante

Estrelas de mármore

Meu corpo. Sinto-o mesmo na ausência do corpo no valor de me abastecer de uma coisa impossível, da saudade, do meu corpo sem mim. Meu corpo me exclui. Este é o momento de viver na pele o que o corpo não me dá. Saudade é a vida, o sorrir por viver. Revivo o que não foi corpo na pele. Sorrir é o que a pele se torna numa abundância do não tocar. Tocar é ser por dentro de mim, tocada como o céu em desespero, como a lembrança tardia de ser eu. Eu quero ser eu em abismos intransponíveis na luz da alma. O que não é fraca, nem forte é luz. Luz que não precisa iluminar, precisa ser luz. Escuridão ampara a luz, o céu é o que vejo da luz. A luz dança só. A sua escuridão vive de estrelas. Cada mármore de estrelas sustenta a escuridão e o berço vazio da vida embala pensamentos, medos no inconstante, no vazio que desce nas curvas de Deus. Fonte de nostalgia. Nada é e nunca será. A casca do tempo cai. Fica o exposto no que falta na saudade: o vazio de existir. Existo como uma prece de Deus. Sou o caminho de Deus.