Blog da Liz de Sá Cavalcante

A calma do mar

Enveredar como se tudo estivesse no corpo, não na morte, não em mim. O que tenho no corpo? Nada. Sentir de frente para o sol. Sofrer por ter pele. A atmosfera que sinto em mim não sinto nos outros. Por isso nada espero dos outros, mas falo. Minha sensibilidade fala como pele assombrada. Como é difícil ser amada, ser eu, até mesmo para mim. Lado a lado com a tristeza, seguro sua mão, mas o olhar escapa da tristeza, pulando em abismos sem o meu fim. Nunca vi quem ainda suporta a vida. Tudo é tão inusitado. Tenho o amanhã sem o amanhã. O remoer do corpo se transforma em alma viva. O abuso da alma, de dançar em mim não me faz ter alma coagida na dor. Chorar traz a alma em palavras nunca vistas: o espelho da alma. Palavras sufocam o que devia ser corpo. Cor são lágrimas reprimidas de um céu claro. Absorve minhas lágrimas nas idas e vindas do pensamento é o tempo do mar. Mar é solidão nas sombras.