Blog da Liz de Sá Cavalcante

Águas de pele

Conheço o outro pelo seu nada. A pele é um nada, isenta de mim. Há de transbordar lágrimas antigas de quando a minha pele sentia. Estou assim, entre não ter pele e não sentir. Por isso me vi na morte, no desassossego da esperança. Não posso escolher. Pele é sentir. Escolher é reconhecer. Não poder sentir na pele. Pele é ver pelo que me falta. As pessoas que amo. O amanhã pode endurecer, putrefação de me reconhecer entre tanto silêncio. Imagino uma gota de água caindo da torneira. Assim minha pele renasce para estar pronta para tudo, até para a morte, até para Deus. Cremaram o amanhã. Nunca mais me desesperarei da maldade das pessoas, da vida. Somente me resta calar. Meus olhos são tristes como o silêncio.