Esmagada como uma flor, eu ainda possuo essência, como um despetalar de Deus na luz dos meus olhos. Sou só. Ninguém se preocupa com o meu sofrer. Eu, invisível, exponho meu amor. O amor não existe, é um engano que dá saudade. Mas de quê? De nada. Viver do meu amor? Será que apenas ele existe? Então, por que amo? Eu preciso apenas morrer com meu amor. Eu já morri. Faz tempo como a saudade alheia, inexistente. Eu não posso dar vida à saudade ao amor do outro. Falo só, confio no meu amor, a minha vida. Preciso do meu amor como preciso respirar. Até meu respirar ofende. Não era para eu estar viva. Dessa vez, me leva, Deus. A pior morte é a solidão. Eu vou contigo, Deus, com a alma em festa. O mundo sem mundo é uma memória vazia e é por não lembrar de mim, que não existe. Me animaria morrendo. O mundo sem mundo é meu ser interior. Viver é ocultar o interior no interior. Alma e espírito são a mesma coisa. O tempo não resolve a dor. A dor tem o tempo próximo, íntimo, apenas a dor agarra tempo, onde posso partir com o tempo, pleno, amado, como a perda do sol do céu. Os nervos à flor da pele. A pele nunca se perde da vida. A vida se perde na pele e eu amenizando o amenizar no seio de Deus. Tenho muito ainda a perder até morrer.
