O meu ser obedece à morte na alma. Morte é retidão, é a falta de espaço dentro de mim. Basta me olhar e não existo. Não me acostumo a ser eu. Já é quase impossível viver na irrealidade de ser só. Ninguém acredita em quem é só, em quem ama demais. Esse desacreditar me deixa morta dentro de mim. Quero apenas que saibam que sofri um dia. É essa verdade que precisam saber para eu ser feliz. Os mortos são mais felizes que os vivos? O que é ser feliz? É liberar o real em minha realidade. Quanto tempo dura o sofrer? Dura o mesmo que existir, dura mais até depois da morte, do vazio. O que perco no real? O meu amor pode ser realista? O amor é um sonhador eterno. Vê o real no sonho. Sonho é saber que nada é ausente, apenas mudou de lugar. É onde todos deveriam estar: no amor. O amor é o início de Deus. Tem ausências que duram eternamente, impedem de morrer. A ausência é uma morte, a pior saudade, morre um pouco a cada dia. Retire-me de mim apenas como ausência e na presença de Deus. A ausência é uma presença embutida. A ausência é a compreensão da vida no nada. Descer o sol do céu. Fiz da falta ausência de estar vivendo. Olhos, viagem sem volta. Presença é o que falo. Sou. Falo bem da tristeza de mim, que desaparece na pele com erupção. A pele grita apenas sem dor. O silêncio é morte imune a mim. Causa dor, isento de mim. Como a alma a falar, amar a vida que não teve. Infância é eternidade. O vento paralisa entre a minha pele e a dor, limite de ser. O que a morte vive é o meu martírio. Viver na pele o não viver em mim, na alma é me escutar. A escuta eternizada é morrer no que não sou e nunca fui: estátua da dor. Eu não paro, movimento o sofrer como sendo a vida de alguém que amo. Sou feliz no não viver no corpo. Mas pele é pensar como Deus. Deus é minha pele sem corpo. Vi o não ver. O não ver é ausência de mãos dadas.
