O amor se prostra de alegria. Ele é feliz numa alegria que não existe em ninguém. A morte incondicional não aceita o real de tanto amor. Também o sentimento de morte é o afastamento da morte em Deus. Leia-me neste instante de amor. Se ele não durar, é pela minha permanência, feita como uma separação de corpo e alma na indiferença do respirar com a vida. Fico só na permanência que adoece tanto a permanência negativa quanto a positiva. Tudo não se lamenta. E, por isso, se dissolve e, nessa impermanência, construí a alma como amor dos sonhos, mesmo sendo inacreditável sonhar. E, no talvez em algo, não me deixa ser as poesias. Não me deixa no meu ser, renúncia de um silêncio esclarecedor. Me refiz no medo da luz. Talvez essa luz seja a vida sem tratar a alma. Nada é responsável pela luz. Eu quero amar, mas quero, principalmente, cuidar da alma, ser luz, iluminar-me mais do que viver. Minha luz mais só que eu. Leia-me como se fosse partir ao meio nas palavras incertas de dor, onde não me contenho. A dor me contém sorrindo a dor. Remendo as almas, costuro o corpo em buracos. Nada oferece o bem. O bem é uma conquista. O descanso verdadeiro, a presença que faz nascer a vida, que é não ter o que apenas nasce no interior: o não ser. Neste não ser, você me lê levemente. Não sinto um adeus, sinto a morte responsável por Deus.
