Blog da Liz de Sá Cavalcante

Cega

Cega pela vida, quero ver mais do que dor. Nada cumpre a alma. Meu corpo bloqueia meu amor de dor. Não paro de amar. Sempre amando, sendo luz do céu. Eu me escureço em pleno céu. Minha visão vê a escuridão e me alivia. A vida é uma morte, anula-me no corpo. Sou fiel à morte. Posso vê-la pela minha escuridão. Onde estão as minhas poesias? Na minha solidão, na minha tristeza, agonia de sofrer cada vez mais. Mas sou tão feliz que as poesias não saíram de mim. Sempre escrevi cegamente pela tristeza, solidão. Minhas mãos insistem em mim. Escrevo e as mãos continuam como eu, insaciáveis em escrever, amar. E o amor também está nas minhas mãos, no que não posso ver. Nem faria diferença ver nessa alegria, nesse amor.