Diante de mim, perco quem sou. Solidão é o bem da pele nas feridas da alma com minha dor. Salvo vidas e a morte fica sem extremidade. É como o desocupar-me em falas. Corrigir a morte, desfigurando o invisível entre viver e não viver. Não há mais tristeza. Há o significado da dor sem a dor. O sempre é a dor de quem ama. Nem a ausência pode ser eu, nem a dor. A ausência é viver entre o que era vida e o que representa a vida agora: eu! No amor, tudo se resolve. O ser vive de amor. Escrever faz meu sonho sonhar. Sonho como se a morte fosse uma nova vida para o fim, mas até o fim tem apenas uma vida. Meu corpo, meu amor não se acostumam à vida. Tento ser a vida que a vida não pode ser. A vida é intocável. Morte é pele, amor. O fim merece uma vida mais do que eu. Nós nos abraçamos até chorar. Minha inabilidade com as mãos é poesia. Quero apenas que a paz amanheça como o dia e a existência da morte vai ser apenas mais uma de tanto que vou escrever. Sempre terá mais uma poesia a ser escrita: é isso que me faz falar. Deixa tudo mais bonito. Eu queria apenas amar. Virei poeta. Reprimir a morte me reprimindo não me faz nascer de novo, mas consigo ver tudo. Nascer como se eu nascesse também. Nascer é a distância da vida e da morte própria. Eu conheço o teu sonhar, morte, sua humanidade. Mas você precisa de um fim. A linguagem é a libertação da alma, onde ninguém precisa falar. Pois o que a tua linguagem diz não consigo falar. Falo de outras coisas, da tua esperança na minha, na flor que nasce, o adeus perfeito comovente. Tu és, vida, o que tem que ser. Eu não sou o que preciso ser. Mesmo assim, sou mais do que ser. Eu expulso meu ser de mim e me reinvento sem mim. Uma criação sem o ser é a abstinência do nada, é Deus. Entendo a linguagem sem a linguagem.
