Blog da Liz de Sá Cavalcante

Sorrir

Penteio lágrimas com um sorrir. O amor é antes do ser no agora de amar. Amar se deixa amar e o amor não. O silêncio no respirar é amor próprio. Meu respirar, diferente de mim, preserva a alma na poesia. Nada responde ao meu respirar. Desalento onde me recupero de morrer. Me entristece o iluminar no luar de Deus. Trava meu amor no meu melhor sorrir. Punir a morte, prevenir Deus sem ausência no depois. A morte não nega o depois sem ela. Morte não é aberração, sou eu. Amor é para poucos. A morte fica no meu pensar eternamente como alma. A alma me expõe a mim, cuida dos meus olhos em mim, vida, na penumbra do amor. Será amor uma rejeição de mim? Alma pode ser a diferença da luz e da escuridão. Chorar é poder ser para a alma o que posso ser para mim. Morrer é a vida insana. Quero saber, ao menos, o que desisti para não ser mais ausente. A ausência fala na minha alma. O grito é uma forma de redimir a dor da fala. Ninguém devia mais sofrer, ser só. Existem milagres, sonhos, espíritos que barram a dor. O ventre da vida expulso é o mesmo ventre que fica. O ventre entra nas entranhas, me faz morrer com a mesma vida, o mesmo nascer em mim leva meu nascer em ti, vida. Não me sentirei morta, abandonada. Me sentirei amada.