Sonhar é saudade de ser. O fim dos sonhos são minhas mãos trêmulas do real. Viver o real é deixar as mãos nas mãos ofegantes de viver nas minhas mãos. Minhas mãos são toda a minha vida até segurar as mãos de Deus. Misturam-se. Nossas mãos grudam nesse amor. Sou incapaz de soltar as mãos de Deus. Agora eu sei o que é sofrer de amor. É ter um fôlego que não é meu. Tomar Deus de Deus é crueldade. Sei que Deus se sente livre, segurando minhas mãos, meu pensar. São as mãos de Deus nas minhas. Apenas nisso penso: para não ser triste. Tudo posso ter, criar pelas mãos, mas este momento é sagrado demais. Até mesmo criar iria cessar o encantamento.
