Entre a dor e o desconsolo, fico com a unção da morte. Morte fora do meu corpo. A morte é o espelho de um espelho na imagem que não é a última imagem de mim. Minha última imagem não é a morte, não pode ser. Tenho imagens que nem Deus acredita, não se define: a poesia. Prefiro a alma do vento do que minha alma. Alma, desafeto da vida. O sonho se estende no fim. Convivo no fim. O fim da fala é vida? O que toma conta de mim? Do meu corpo? O conhecimento alheio a mim é a presença eterna, desmaia em meus braços, presença eterna, diz para mim o teu nome. Ao menos para a minha morte diz que é Deus, que ficará em mim até o fim. Que fim é esse sem céu? Olhos no ar da última chama de vida. O fogo que me separa no inferno de ser, no lá fora, sem mundo, sem ninguém, apenas vento e coragem.
