Um coração no meio do nada
23/07/2026
Não há um coração para a vida. Todos na vida, menos eu, a me procurar sem me encontrar. Me deem notícias da vida. Não sei mais o que fazer para viver. Escrever imita a vida. Para construir um ser, é sem alma. Para desconstruir um ser, é preciso a morte pela alma. O pensar é indestrutível, é amor. O medo de amar é a alma. Transmitir o pensamento para minha morte. Pelo menos a morte terá um único pensamento meu: não punir a aflição na sua sinceridade. Deixar a vida correr, mesmo que eu não a alcance. Não luto para o inevitável. O que o vazio esconde de si é a existência vazia. A falta é coragem que eu preciso ter para enfrentar a vida. Que vida? A que coloco no papel? Como me inspiro? Pela falta de coração da vida. Eu escolhi esperar que a vida tenha um coração. Se não, como viver? Talvez nunca a vida tenha um coração, mas sei que não fiquei sem viver à toa. Resigno-me à morte como se fosse um dia após outro. É apenas a morte, a lucidez. Fim.
