Falta muito para saber se vi. A última coisa que vi não pude saber como é. Vivi platonicamente no olhar. Vi sem ver. O que falta no olhar eu vi. Não vi o que existe. A vida, tão distante, desconexa com a realidade que eu vivi. Vivi o amor pleno de si e eu tenho apenas a mim para lhe dar. Sem insegurança, vivo o que sou e apenas isto é meu fim. Leiam-me, decifram-me pelo que falta em mim. Me faça plena no esplendor de uma saudade. Desate-me, aprenda-me. Ouça vozes como eu, mesmo que elas não existam, mas não se sinta só. A solidão não impede de morrer, de ser quem sou. Um instante de amor é uma eternidade que não se aproxima de mim. Demonstrar o amor é não desistir de mim, mesmo que, eu já estando morta, possa me fazer sentir e descansarei como um encanto de poesia.
