Me espremo a dilatar a vida num curto tempo. Aumenta, vida. Vou sofrer mais do que você. Tua perda dói em mim, não em ti. Qualquer som penso ser você vindo a mim. Vem, vida, também tenho medo. Vamos lutar juntas e separadas. Ninguém tem esse dom de dar e se separar do que dei. É sempre solitário este nada de mim. Vive o princípio no fim. O fim aumenta minha relação com a solidão para que eu não seja só. Queria que houvesse pessoas sem a solidão. Carrego-me na alma. Vivo por amor. Eu tenho dentro de mim a grandeza do amor, da reparação do nada. Nada engana o amor. O amor sabe que vive noutro mundo. Só busco em poesias a vida perdida. Não adianta soluçar. Soluçar não é voz. A luz acende a alma numa descarga da falta. Eu vivo minha ausência. Por isso, sou feliz, impecável mais que o céu se ama no céu? O som me separa do real. A realidade é silêncio sem o esforço de viver para mim. Odeio a realidade, mas a morte, realidade infinita, é um pouco ser inexistente. E assim a ausência fica leve no meu ser dentro de mim.
