É vivendo sem alma que suporto viver. A alma do vento é tirar-me de mim na minha pele. Arranca-me, mas não arranca minha pele, não a tire de mim ou da memória de mim morta. Façam o que quiser comigo, mas deixa em paz minha pele. Deixa a pele com a lembrança de mim, do meu amor. Entre o sol e a lua do céu. Deus se expõe entre Deus e Deus. O choro do mar, as estrelas são as perdas de Deus. Deus tem suas perdas no seu amor. Perdas podem ser carícias do pensar. Pensar é fazer, do viver, amor. O silêncio absolve a alma de ser alma. Essa aceitação da alma é sua morte, sua condição de estar bem. O silêncio faz a morte se reconhecer. A morte se reconhece. Não há mais abismo, tristeza. Tudo tem um motivo, uma razão de ser, e isso é magnífico. Cria todo significado, pois, apesar de tudo, sou eu em mim. Esse é o maior significado que posso ter.
