Blog da Liz de Sá Cavalcante

O soluço do mar

Por nada existir, existe ser, e eu, longe do meu ser, o sinto como se estivesse aqui, agora. As ondas do mar em mim e o sossego em pele no reversível de mim. A angústia do não eu. O que sei sobre mim? O rosto não é um reconhecer. Me reconheço no outro, onde o mar se esconde, em mim. Sou fim do mar e começo do sonho. Sonho por causa do mar. Nasci como mar e vou morrer como mar. Sonhar vibra, idolatrar-me num mar que busca, fala em mim, da minha finitude e a ameniza. A finitude é um barco, afunda se eu quiser. O que se pede em angústia é o amor de ontem que não volta. Mas o amor de hoje pode ser melhor. Cada um acredita no amor, mas o amor não é igual, se vê no outro de maneira inigualável. É fácil surgir, difícil é surgir no não surgir. Surgir acaba em angústia, em fim. Fim. Nasci vendo o meu fim. Fim esclarece a dor. A dor é a morte da dor. Relaxo-me como quem dita a vida e renuncia a morte. Isto sou eu, isto é mar.