Quem sabe morrer de sofrer como eu ao menos escreve. Eu revivi o sonho de infância me imaginando pequena para mim. Tudo sempre é para o que os outros pensam, não sou eu. Sempre espero muito dos outros e recebo pouco. Vivo num mundo apenas meu. A distância já se torna comum. Eu nunca serei ouvida, mas hoje tento, desfio-me em alma. Tenho que ser apenas. Poesias minhas são apenas varridas no vento. Eu queria apenas ser aceita. Faço o melhor. É pouco, é nada. Quero desaparecer no adeus de Deus, no meu. Sinto-me despencar nas trevas dos outros. Decepção é morte. Nunca mais é como antes. Tudo é incomunicável, como a leveza da morte. Solidão me torna lúcida. Não combino com o vazio das pessoas. O tempo passa, o vazio passa, fica a lucidez, uma lembrança do que devia ser boa. Me achei sem conversa. Amor substitui o sonho. Eu, para existir, falo só. Nem a realidade escuta. Injustiça, sofro tanto. Eu me entendo num olhar, no falar, no viver. Por isso, não aceito engolir palavras de amor. Dance nas minhas palavras. Uso até o corpo para tentar falar. Estou desamparada como a água, o fogo, o ar. E vou nesta busca de mim, de amor. Que fala amor? Amor, quando se fala, o universo se abre. Há mais mundos, mais alegria, amor. As marcas, dor, acabam num amor incondicional.
