Vidas flutuantes num céu ardente de tanto azul. O que quero é conversar, viver como acontecimento do céu. Vivo da fala, da escrita, repara, sente em mim o que amo e amará até o imperceptível. O naufragar será uma chance de mergulhar em mim. Nada se repete, nem a lembrança: única como o nada. Escuta-me, fala-me sem precisar do amanhã. Me amem. O amanhã nunca chega. Mas o que falo chega a Deus. É tornar o amor a fazer algo por mim. Choro de amor. Recitar o amor é um privilégio. Imagine ser amada como eu. A alma recebe sem dar nada, sem obstáculos. A alma é o rascunho do meu amor. Engravidei do amor, de ser amada, sem alma. Há expectativa meu olhar colado no nada sem precisar da morte, do adeus. Amor, amor…
