Pareço ver as coisas respirem. Elas existem sem mim. Até os objetos merecem amor. Eu amo mais que vivo. Nunca há silêncio em mim. Há amor que não se cala. Perfuram-me por dentro, continuo viva no ventre de mim mesma. Sou capaz de renunciar meu amor por amor. Quero que o sol entre na minha vida e eu possa vê-lo por um instante para esquecer que sou triste. Viva o sol, viva a vida, contanto que eu não possa ser eu. Vivo em busca de mim. Me encontrei só. Não é fácil viver. Sobrevivo além do meu limite. Olho meu céu para conseguir respirar. Vivo o que não existe. Até me sobram palavras. Vivo o que existe também. Tudo quero que seja amor, amor. Meu amor vive tanto em mim. É até difícil acreditar tanto amor em mim. Estar bem no meu universo de amor. É fácil, mas a vida lá fora não existe para mim, nem minhas poesias. Mas, também, não existe. Não existo, nasço da dor de ser eu. Cresci e continuo só. Sempre me precipito em amar. Sempre sou eu que amo. Quero apenas parar de sofrer, de querer o que não tenho: amor, amor, amor…
