A perda da alma é o meu nascer, meu sustentar. Nascer sem alma é nascer em Deus, é perder o céu no amor. Chorar é existir, viver sem as angústias do céu. Como separar o céu da angústia? Meu sofrer é nada comparado ao céu. Entre o céu, há barreira de estrelas, chuvas de solidão. A alma não é bonita, é verdadeira. O nada vê mais além. Nunca vejo como nada. O nada me vê nele em amplidão. O sol devolve a alegria do céu. Escrever é vida, alegria, separação. Escrevo por tirar-me de mim com minhas mãos, meu amor. Mãos não precisam de nada. Escrevem distantes do meu corpo, de mim, e sou eu que escrevo. Fora de mim e dentro de mim, como se algo a mais fosse como um corpo para mim. E o meu corpo morto não me faz falta se eu estou viva para escrever. Nunca haverá uma última poesia, um último adeus.
