Amor espiritual vem com a morte. Nada sentir, amor absoluto. Vazio é raro, é ajudar nos momentos difíceis, sentir a dor do outro, deixar-me como se me escutasse. Escutar é o lazer da morte. É como um frio quente, a maciez da ausência áspera de amor. O que espero de mim é fazer a lua desenhar meu interior como um documento. É um atestado da lucidez do meu amor. Lua me banha de poesia. Não leia, me tenha em poesia para ficar boa da alma. Quero saber o que é alma. A alma é a renúncia da inexistência. Renúncia para não viver a inexistência. É o absoluto, é a saudade de mim como plenitude. O instinto da pele é o sol. Poesia é o porquê de a vida existir. A vida existe para a poesia, não para mim. Sinto-me plena assim e realizada. A poesia é mais essencial do que eu. Sinto a falta da alma como escorregar na alma. A alma avisa quando querer, quando a vida chega e o sol do céu chora por ter vontade, vida da alma. Quero o tempo que passei sem viver de volta, empalidecer de amor. O contraste é a vida da emoção. O que posso dar em morte não se pode dar em vida. Não se dá em morte. O corpo eu dou para minhas perdas, para não ficar na morte. Eu tenho que morrer. Meu corpo, a minha pele, minha alma vão seguir para mim. Minha pele devaneia na dor, numa consciência absoluta de que tudo é dor: momento propício para ter paz. Na paz, os mortos não descansam, e as flores dormem os sonhos dos mortos.
