Contenho-me no nada e evaporam estrelas. Me conter é vida. O dia sorri em noites serenas, como se as estrelas pudessem declamar a luz poética do amor. Poesia é o cuidado com a alma. O incentivo é a própria poesia. Sonhar respirando, nascer respirando é ausência que paralisa. Eu tento acreditar na vida e no meu receio. A ânsia é a vontade de transcender. Conhecer é transcender em luas no coração. Cheia de alma tendo sensações de lua. Esconder-me das flores, da minha sensibilidade do nascer eterno. Existem luas dentro de mim que me unem. As palavras na forma do esplendor sem céu. O céu alheio às estrelas, única esperança de Deus. O céu fulgurante cessa a alma em brilhos solitários, mais alma que a alma. A alma está aqui na desilusão da lua dentro do desamparo do meu corpo no ódio da vida. Vai com Deus, alma. Estou devastada de dor, alegrias. Encontrei-me sem ti. Isso é amor muito mais do que alma, do que jogar fora meu coração na solidão que sinto. Sonhos tão exteriores a mim que são caminhos de realidade. Meus pés de sonhos voam fora do alcance. Sou diferente da alma por ser alma? Perfumes da fala falam-se infinitamente divididas entre o exílio e o amor, mas o silêncio é a morte de Deus em mim num estrondo de dor, agonia do céu. Alma não se encosta noutra alma. É a inexistência do encanto de morrer: milagre de Deus. O céu de cada dia.
