Blog da Liz de Sá Cavalcante

O individual de mim

Nada disso é real para mim, nem o que escrevo é real. Levar a sério a morte como juntar o fogo que se espalha e dizer adeus ao adeus e deixo-me na natureza do céu. O que lembro, o que esqueço não é de mim, é da morte. Resta a vida como a fragilidade de um fino respirar. Vida de dentro. Não escuta o respirar fino na mornidão do coração. Eu não apenas escuto, falo, converso com meu respirar e sinto tua sombra, morte. Respirar é apenas o vento, a despedida sem distância, num leve despertar de ausências nuas. Vivo o não ser só, sendo só. Mais só que eu. Por isso, não tenho ser individual, tenho medo do meu ser individual. Ele é constante no adeus. O adeus que não existe em mim. A sombra me devora e escapa de si. Como me situar em mim? Sendo, algo me sobra além do fim: apenas eu sou a verdade do meu fim. Fim do fim. Eu sou como as asas de uma borboleta. Esquecer o que faria e fazer por mim. Abraços se desdobram no fim. Começo do amar. Morte faz apenas cócegas em mim. Enfrento tudo menos o desamor.