Posso me enganar sobre o que amo? Engano o engano, mas não a mim mesma. Iluminar é sair de mim em abstinência de morrer. O dia nasce diferente. É como não atravessar o mar. Eu vivo do que não vivo. O dia, agora, é a estranheza de morrer. Nada é sem partir, há sem partir no partir. Tudo é complexo, sem saída. Pinto-me de ser, não me pareço comigo, mesmo pintada de poesia: me torna idêntica a mim. Ser é a incomunicabilidade na alma de Deus. Ser é o fim de Deus. Deus, mesmo morto, é a verdade do ser. O ser não tem interior. O regresso volta para mim sendo eu. Sou apenas um regressar triste. Não voltar a mim é ter Deus. Sou a fome e a saciedade do amor. Quero apenas que Deus me escute. Eu sendo sombra do céu, perfumes de consciência de eternidade de vazio, de alma. Alma é vazia em Deus. É como o fim da vida.
