Se é inútil viver, para que serve o abandono, o sol, a lua, o céu, amor? Solidão é mar enchendo. Estou me dando a vida, que é minha. O nada é a causa e o efeito de viver. Não sei o que me resta, mas não é o tempo. A vida quer tudo do nada e nada do tudo. Luto por inconsciência na pele. No ardor sem dor, no abraço a me proteger. Não na minha dor, mas em mim. O ver reflete o que não compreendo, o não sentir. Me impregnar sem o não sentir em mim carícias da alma que escapa em pele. O olhar acima do real é a falta de sorrir na alma do deserto. O abandono de mim acaba em morte. Não me desvencilho, não me afasto de mim. Tudo que sei é amor. Amor, dúvida de viver. Não suporto a luz dos meus olhos. Só pedras, brilhante da alma. Sol novo de poesia em letras de céu. Morte nem sempre é morte, às vezes é apreensão, às vezes é ilusão. A ilusão tem que viver, respirar. Coisas são ilusões, ternura que nunca me deixa. O sol cai das nuvens num céu apenas de estrelas. Nunca deixo de chorar, ser só, apoiar meu amor. O abandono de mim pode ir apenas até a minha morte, mas pode ir até minha alma. Alma é a pintura do céu.
