Blog da Liz de Sá Cavalcante

Estrondo de amor em mim

Por mim, meu sonho é não existir morte. Quero que o sonhar tome conta de mim como uma vida toda para mim. Eu, às vezes, preciso ser meu sonho para ser origem de mim. Sonhar não me deixa só em florestas de silêncio. Não sei não sonhar, amor. Tantas almas para amar, nada para conviver. Ao menos sou eterna no que amo. É fácil sentir o céu e as estrelas do que me sentir. A carência do nada é o nascer de tudo. Tudo se vai até a morte. A alma fica percorrendo o céu junto de Deus, acreditando que o nada é única existência, onde voam os pássaros, onde há imensidão. A alma criou a perda de mim no existir de Deus. O pavor de ser sonhada mais que um sonho é fazer de mim a minha alma. Sonhar é mais que ser feliz. Sonho nas mãos de Deus. Deus não machuca a morte, não tem raiva. Medo é a imensidão que se dá ao mar, que repara no mergulho do sono num amanhecer poético. É dia ou noite? Sei da vida, do ar, da paciência de viver, do olhar se se isolar em ver. Eu não posso tornar o ver especial como o amor. Ver é me ocultar, me esconder em ver no chorar. Saber não ver, nunca chorar é a maior dor que existe. O maior amor, o maior Deus é a morte num estrondo de silêncio.