Entre o mar e o destino fica o ser na ternura do nada. O ser é ilusão da alma, transcende mais que o universo. Não pode sonhar. Mesmo assim, fica na falta dos ser como um sonho depois do sonho. Depois adivinha o sonho, não sabe não ser só. Adivinhar não é sonhar, é pular no coração de uma incerteza e levar amor, como uma alma enfeitiçada no vazio. Solidão é esperar o desespero num amor infinito. Cubro minha morte em mim, na esperança de ver mar, Sol. Eu faço de mim o que sou para quem amo. Nada se morre no amor. Aprendi no amor a não querer ser. A ausência do corpo me faz ser, esquecendo minha ausência, alma que flui. Como lembrar da ausência? Ela lembra de mim. Amo a lembrança ser minha ausência. É sempre em mim. Nada me entontece, sonho logo. O suspiro não retorna, fica na imaginação. Nada amortece, se contém. Lagos de abraços enfeitam meu sono. Me invade, me acorda para a vida em neves de flor.
