Blog da Liz de Sá Cavalcante

O que resta?

Soltar as mãos da poesia, encontrar outra maneira de ser alma, talvez na minha incerteza. Olhar é a vida, é o que pertenço. Eu percebo que olhar é adeus. Ajudo quem me ajuda? As minhas mãos, mesmo sem escrever, é amor. E, se não houver mais amor, a vida vem me tocar com minhas mãos. Sorrio e me sinto tão tocada, emocionada. É como escrever. Logo a vida vai desaparecer no meu amor. Ficar só como eu. Demonstrar amor, certeza de nascer. Nascer sendo a mágoa da vida. Sou responsável por sofrer? A culpa é de quem me faz sofrer. Eu preciso respirar. Me deixem respirar. A falta do respirar também sente, ama. O que já respirei, amei. Sempre fará parte de mim como mágoa, decepção. Nunca pude ser amada, nem sonho mais com isso. Fim, acabou, escrevendo sem nunca falar. Lágrima desbota a vida, não deixa a flor da esperança nascer. Tudo precisa nascer e morrer. Ninguém percebe que falar é a minha única eternidade, mesmo longe do tempo, da lembrança. Sempre posso falar, mesmo sendo a chorar. É melhor que morrer. Consigo viver se for falando, amando. Me espere para respirar comigo. Meu último respirar, teu adeus na falta de tua presença. O que meu amor não resolve está dentro de mim na forma de Deus. Deus não resolve. Fico com o seu olhar de amor. Lembrança de minha alegria, da fé. Tornou-se desistir? Não posso. Tenho que ter forças como um céu depois do céu. A imagem, miragem de uma saudade que é o que fica do tempo. É o que resta em amar?