A vida fora da alma não existe. O que não existe é o que devia existir: saudade. Às vezes, penso que a saudade existe apenas em mim, que apenas eu amo. É ver além do amor. Colocar o amor no amor é surpreender o amor com mais amor, destruir as impossibilidades na vida do viver, não na vida do ser. Eu amo as minhas mãos. Nada as faz parar. Nada existe sem mãos. Nada existe. As mãos dão vida a tudo. Mãos calejadas do amor. Sentir falta da vida é ver minha fragilidade como uma nova vida, um novo suspiro, onde nunca há adeus. Tudo se transforma, um novo suspiro, um novo amanhecer para minhas mãos atentas de amor. Entre tantos recomeços, mãos de alma emendadas na poesia. Poesia é o ar, é Deus a respirar no meu partir, na minha solidão para me amar.
