Entre o céu e o mar, um buraco de amor. O céu e o mar impedem a vida de ser feliz com a vida a dormir no mar. Sem alma de mar, a vida me desafoga. Cansada do amor, amei ainda mais, como um Sol sem céu, como alma sem luz. Meus olhos se vão na luz para eu não ser só. Não preciso de luz e, sim, amar no esquecimento. É ineficaz ter expectativa no olhar. É tão insignificante, fugaz, O interior é cego de amor. Toco a cegueira no lembrar oculto, é como uma foto dentro de mim. Não pode ser revelada. Por isso me fascina, me preenche, sempre e me dar, como se assim eu voltasse a respirar. Não por mim, por amor. Protegida por mim. Não tenho reação. Ninguém nunca vai aprender a viver. A vida é o perdão de ser. Viver a vida é um pedaço tirado de mim. Mas os outros pedaços da vida onde estão? Afinal, viver é um grito entalado numa fala de cinzas de flores. Flores que embrutecem a dor largada em flores, deixando-me ser, viver como o que pertence à flor, de flor em flor até chegar à vida. Exagero no amor, em viver em mim. A arte é apenas recusar o que já sou. Tenho todo o tempo do mundo para morrer. Quero ser dominada pelo respirar para a alma adoecer, sangrando na minha pele sem o coração partido.
