Vida, reparte tua dor como se fosse tua alma, e, assim, sou imortal, plena no seu amor. Flores são segredos da alma que não transmite nem o silêncio. É sofrer na própria voz. É difícil. Não me preocupo com a vida e sim com a semântica. Eu em colinas de espuma. O nada é o conselho da morte. Deixar-me viver não representa o sol, nem o amanhecer, nem o ser voltar só e na inexistência. Não importa sentir meu corpo. Não traz de volta a inexistência. Mas do corpo nasce a alma. Nascendo, eu perco meu corpo. A perfeição é apenas aceitar a morte. Nada se diz, tudo é no indefinido. A aceitação é nunca haver tempo. Ficar na luz da escuridão e suprir o tempo no desencontro da luz. E a luz incha a alma. Respirar é idêntico ao nada. E, assim, o início e o fim são metades de mim num compartilhar do fim. E o que noto é que compartilhar é o mesmo fim. E a imortalidade é a neutralidade da emoção. Repito mortes em duplicidades, em estar ausente de tudo. Ausências se tornam um caminho. Sente-a o que vem no ir, partir. Isto é o nascer da alma, da flor, em um pernear da morte no infinito, que é onde o pernear é uma sombra, que é uma aparência, é a aparência querendo nascer quando Deus vier.
