Apenas a distância conhece a realidade. Não me faça ser a morte e a morte ser eu. Na morte, não há distâncias, há a solidão de ter um coração que não bate e eu a suspirar por ele. É ainda meu coração. A morte é um vir a ser paralelo à mudez da vida. É que ela nada tem a dizer, é vazia na morte. Ao menos, posso sentir solidão e ter palavras novas que, antes, não existiam. Escuto palavras, nunca a voz. Meu corpo, a minha alma são palavras. Meu ser são palavras. As palavras não têm intervalo entre um ser e outro. Tudo as palavras explicam, o que nem a vida sabe explicar. Assim nasce a poesia.
