Blog da Liz de Sá Cavalcante

Cavar

Pés se cavam como aves. Estremeço no silêncio da terra cavada com amor. O corpo só é a vida no destino, é comparar o céu do meu corpo, é afastá-lo do que se apega sem vida. Cavar o peito para não sangrar. A alma embutida no inexorável do invisível. Eu tenho o que o mundo me dá em forma de poesia. Ainda existe mundo, ao menos nas minhas lágrimas que não me escutam, mas são um mundo silencioso, onde a solidão não é impossível. Eu sei o interior das minhas lágrimas. Elas me fazem viver para eu me imaginar no sorrir da minha carência, onde eu posso ser qualquer coisa no levitar dessa alegria, que me faz bem pensar em mim. É como se eu pudesse sorrir para minha carência no último aparecer do amor. Sintonia de olhar traz a esperança de ser feliz.