Blog da Liz de Sá Cavalcante

Fundir-me

Fundir o que não existe sem o adeus da mente. Fundir-me em morrer com o cuidado em sonhos. Acordar em lábios de céu, em nuvens de isopor. Não ir até o fim é morrer até o soprar das grades da alma para cair com o vento no nós de mim mesma. Nada se deixa levar, por isso tudo é amor. É fácil sentir. Por isso sinto, mas o que sinto ao chorar é mais inexplicável que o céu, mais inacreditável do que ver o que assume a realidade e desvenda o véu que a esconde? Suprir o vazio e mostrá-lo no véu que poderia ser o céu. O céu me inunda, me refaz. Nem parece o céu que abandonei. Eu queria não olhar o céu como morte. Queria ver o céu na minha vida. Minha vida tem o meu olhar. Mãos são o tempo em mim. Tudo se resolve sem o infinito. O infinito é o problema do céu, seu trauma. O nada é o fim do infinito. O fim é Deus? Não sei o que sinto, mas, se sinto algo, o fim não é Deus, o fim é recomeço.