Blog da Liz de Sá Cavalcante

Amortecer o vazio

O vazio inextenso se faz alma. É um lugar para um lugar. O que mais tenho que ser além de solidão? O que me fazia ser era amor. Tecer o vazio no meu corpo e sei, o vazio não se segura no meu túmulo. Sei que nada é igual a morrer. Morrer é apenas símbolo da morte. Não há do que morrer, mas há do que escrever. O necessário de ser feliz é ter um coração para morrer e outro para viver. Viver não é ficar com os braços cruzados esperando ser os aventurados ares do que é. É promessa, razão de ser. Nada se justifica só. Tudo é desigual no pensar, no ser. Fugir de mim é, ainda, viver. A vida é fuga, é o que se vive por nós todos liberamos o ar numa harmonia, correndo de nós mesmos e encontrando florestas na falta de fugir. Todo ser escapa como se não fugisse, como se o ar fosse o céu. A saudade do que não vou viver faz da vida e do céu a mesma coisa. Ver tudo sendo o mesmo existir. Decoro a morte como se dominasse o céu. O vazio feliz na minha alegria. Divido o céu em amor com uma fé do céu que se abala em palavras e deixa tudo perfeito. O céu vive numa bolha. Sua exaustão não nos deixa vê-lo, nem o tempo esquece a natureza como esquece o ser. Na luz que enfrenta o olhar, resta a escuridão passiva. A vida apenas atua, nada faz por nós. Deixo-a para vocês.