Às vezes, confundi não ser com estar, morrer, com o florescer. A fadiga de crescer. Estar em vez de ficar. Reproduzir a saudade com a convivência. Repassar o tempo ao desfolhar o nada sem prejudicá-lo. Criar uma nova vida. Crescer de amor, de liberdade. Sonhar, mesmo morta. Ser feliz ultrapassa o real, vive o real. O sonho banha a morte para secar o ser. Tenho dúvidas se estou viva. Quando nada se vive e fica intacto. É como dar razão à morte. Este é o lado impermeável da sombra, em impermeável existir. Nada é tão sóbrio, solene na existência, como ver o sentir do outro. Às vezes, parece um não sentir sagaz, sóbrio, mas é apenas a vontade de ter esse alguém na minha vida. Sentir sem orgulho de sentir. Não é sentir as entranhas. Não deixam o ser se separar do passado. Como se moldasse argila no passado. Para moldar o destino, me espremer para ter alma. Quando tudo cessa, eu continuo. Continuar o quê? Não encontro respostas. O que sinto me faz continuar. Vidas se apossam de mim. Sofrer é demais. O último suspiro é minha voz. É imperdoável não viver. Eu esmoreço em minha pele, me ponho abaixo, inferior a ela. A vida desfaz a pele em saudades. Sempre há alguém para a vida.
