Blog da Liz de Sá Cavalcante

Nada se compara ao me sentir abrir os olhos

A imagem poderia ser qualquer imagem, mas meus olhos são sempre meus olhos. E eu, a rever o olhar como uma verdade, como um suspiro no ar. Abrir os olhos como um salto na dança, na obscuridade. A luz refletindo no ser como abismo da vontade. Sem o ver da vontade sou apenas luz. Luz que se faz na sensibilidade da luz, como uma luz no fim da luz. Poder ser não é um ser. É o fim. Flores se enganam em alma. Ver o mundo, a vida, pelo seu cheiro. Nada se sabe do que resta de mim. Enfeitar as flores com a vida. Envelhecer como o nada, com dignidade e sorrir como criança. O inacabado é o infinito num grão de areia a me definir. Nada percebe o adeus, apenas a inconsciência que faz do adeus um fato. Nada será tudo é. Componho coisas sem vida na vida que desgraça o céu em nome de Deus. O fim da poesia seria o céu. Sentir-me no céu é ter o céu. Sofrer no nada é se abastecer de esperança. Nascer como estrutura da vida. É poesia. O nada sofre sem perdas, ausências. Sofre o sofrer sendo em mim o que espero ser. A falta de luz prova que a vida existe. Um sentir além do destino, do interior de mim. Escrever é a alma que não se dá. Sinta minha alma, respire com ela, esqueça o tempo que escraviza. Pensem em ser, em dormir pela obra das suas faltas, e consigam pensar no outro em paz.