Lagos de giz apagam o silêncio que vejo no ardente nada. Eu tenho a amargura num relâmpago de alma em rastros de luz que emudecem o nada. Luz são trevas, devaneio de ver. Me atropelo em palavras de pedras no devaneio eterno, nos meus olhos que, sem luz, acendem a alma para as estrelas e a alma continua escuridão. Desespero sem luz é a clareza de um destino. Lagos de mar são os anos passando na dificuldade de ser feliz em ficar. Aflora a natureza num espetáculo eterno. Sempre haverá um amanhã onde ficar é como um abraço, é como fé. Ficar é ficar entre o momento da alma e o meu ser é questão de céu, de encontrar no viver o rosto de Deus, de reviver as palavras com um novo amor por elas: as palavras mudam de sentido. Não perdem o amor. Trovejar a alma no viver na consciência do amor, na paz que me devolve o resto da vida, que é o resto de mim no desconsolo de ser feliz.
