Blog da Liz de Sá Cavalcante

Complexo de inferioridade

A vida é morte, para que a aparência não afaste quem sou. A inferioridade são sonhos que não morrem. O ser eterno não é um ser, é o ter sido que nunca é ser. Ser é a unificação de Deus. O se tornar pelo ter sido, é transcender no imaginário pela contradição da vida. Não posso preservar a morte, mas o que sinto sempre é meu. A alma por alma, colo para me abrir dentro da alma e ficar em mim, onde o importante é viver esquecendo cada vez mais o não viver. Isto é eu deixar a alma viver a absolvição da alma. É outra alma. Não se pode recuar na alma. Impedir-me de ficar nesta ligação entre a vida e a morte. O porvir depois da morte não substitui o que sinto. Restringir a morte ao amor. O terror de amar envolve o perdido no não perdido. Fundir o perdido no não perdido é a morte. A noite cuida dos sonhos da morte para não viver mais. As estrelas, à noite, perdem seu brilho. A noite manipula as estrelas, as faz cessar de ser. E a noite se mistura com o dia. Tudo é vazio. Mas as crianças preferem desenhar estrelas. Eu escrevo estrelas. Sua presença continua em nós. É a única diferença entre o dia e a noite. É eu continuar sendo estrela nas minhas poesias.