Blog da Liz de Sá Cavalcante

Até hoje

Até hoje, tenho medo de sofrer. É o medo que me faz sofrer. A ausência é a relação do meu ser em mim. É cruel não ser ausente: é como um adeus ponderado de tanta dor. A dor esqueço. A ausência é o pensar. Tenho em mim o que fui no fim de mim. O fim não é objetivo, é o subjetivo da mente. Minha realidade derrama tua morte em mim. Se for amor, morremos por nós. Por hoje, vou me esquecer na ausência para lembrar de partir a esmo rumo ao nada sem poder me encontrar morta. Me escondo na morte. A morte sente meu esconder na sua veia. Foi difícil enganar a morte. Não pude lhe sorrir. A veia da morte rompeu. Quero-a no sempre da dor. As poesias frágeis, deformadas pela morte fez eu não sonhar mais. Queria ter morrido para viver.