A morte é como escrever, escondendo o nada. O medo de ser feliz é pior do que viver. Ouvir me dá mágoa da morte. O que fiz para a morte? Intenções vazias são a essência da vida. Ser para morrer. A sensibilidade é um sopro da vida entre mim e eu. O tempo das mãos é tocar o esquecimento, como um véu. Não sinto o que sou. É como conectar-me aos meus olhos e deixar o vento me levar, tampando a rolha do meu amor. Nada se amplia, diminuem-se almas. Tirar a alma de mim é recuperar os meus pedaços. Minha alma é um testamento de amor. Como identificar-me em mim? É tão improvável um ser no outro, o que ele é para si mesmo. Como fui parar em mim? Às vezes, ouvir é o medo da morte: tranquilidade da fala, que suspende o nada na anulação do ser. Somar o somatizar como um ser no meu ser para reconstituir fragmentos de Deus, onde Deus está inteiro. Quem sou eu sem saber o que é a morte? Sou eu sem ser algo agonizante da dor.
