Dolorida por cavar as minhas mãos enterradas sem mim. Construir almas como mãos, desativando almas em outras almas sem respirar poesias. Meu sacrifício de ficar com minhas poesias apenas em mim, como um rastro de pólvora. O que seria da vida ao anoitecer a dor? Ficam apenas as estrelas sem o vazio da alegria sem mim. Meu amor é uma floresta. Nada pode ter o espaço de uma estrela, aprisionada por flores. O abismo é ventilar o frio em mim. É assim, meu deserto do amor me segura nos braços da mãe da morte. Voltar à vida no desaparecer. Insistir na alma os meus pêsames à vida por tentar ver sem voltar à vida. Ver sem vida é o além sem o nada. É não me arrepender de morrer. O olhar não tem lados. É a direção do infinito, clareando a Deus, vivendo o que não posso viver. Não consigo sentir o passado como antes. Do passado, ficou a neblina. Não consigo ver nem por um adeus. Sei que meu olhar me tem, mas não vem a mim. Não por desamor, é por excesso de amor. Não estou só. Tenho em mim a saudade de ver.
