Sentir eu sair da alma é um nascer sem vida. A alma sangra, apodrece. Não sai de mim e se sente sem mim. Pertencer a algo ou alguém é me tornar mais ser do que a alma. Lembro-me de ser na alma, remendos do nada. O que faria sem sentir, sonhar? Me tornaria o impossível. É mais fácil sentir o impossível do que a mim tornando-me impossível como o orvalho na minha voz de flor. Me engano em ser eu. Tudo termina em ser: o Sol, a vida, as estrelas, água de Sol desperta a minha sede. A sede são sobras do meu corpo, complemento da alma, onde meus sonhos cuidam de mim, como se eu fosse a alma dos meus sonhos. A diferença entre o sonho e o real sou eu. Percebo essa diferença, mas sinto a separação entre diferenças contínuas. Chamo-a de amor.
