O confronto da morte é a realidade de viver num corpo que nunca existiu. Para mim, é mais real do que a vida. Eu estou hipnotizada em olhar meu amor. O olhar tão frenético. É difícil acompanhar o meu amor. O tempo do meu amor não é o tempo da vida. Escrever é o tempo que já se foi. Nada vai além do passado, consome o céu. O passado é além do ser. Nada pode tornar o passado o que ele é: saudade de nascer. Não sei como dizer ao passado que sei que estou nele ao nascer de novo nas mãos da poesia. O ar necessita das minhas mãos para moldar a minha calma. Isto é eternidade. A calma é como alma. Respiro a calma. O fim é a natureza sem calma na liberdade da alegria do fim. O fim libera o ar na calma de mim. Algemas de alegrias fazem minhas mãos tocarem o céu e serem sagradas como uma poesia. A poesia toca as minhas mãos, se perdem em mim. Tocar é mais do que vida, é deixar o respirar partir e respirar por mim. O seu partir sem querer de volta o respirar. Tocando o intocável, deslizo nas palavras e elas se misturam onde já estavam escritas, em mim, antes de eu nascer. E a vida é o complemento da poesia. Há mais poesia do que pessoas. A falta de saber é alma. Por isso a tranquilidade que sinto é pura poesia, é o desencantar do céu na calma da poesia.
