Blog da Liz de Sá Cavalcante

Simulacro

O meu ser é simulacro do meu não ser, do meu amor. Mas o céu não é cópia de Deus. deus está em todo lugar. O abscesso é a alma. Infecção que faz sonhar com o que não existe em mim, mas existe para mim. Ser real não é uma obrigação. O real é a solidão dentro de mim, é o ver da alma. A sombra sou eu no possível de mim. Viver é ser feliz nas estrelas, caindo nas minhas mãos, escorregando de amor. As estrelas conversam. Sua voz desperta na mesma vida minha. Estrelas são o meu anonimato. Despejar nas estrelas o que sou. Minhas mãos tremem em estrelas para eu escrever, não ser só. As estrelas tremem nas minhas mãos. É saudade do que não viveram, nunca vão viver. Isto é poesia. O que morre em mim faz das estrelas lembrança. Me fechar numa estrela, me desprender do céu é angústia. A náusea da estrela é sorrir para mim. É uma vergonha morrer sem angústia. É humilhante ser capturada como uma estrela. É como ter o privilégio de tornar o céu azul. É difícil saber o que é céu e o que sou eu. Não me sinto, nem penso em mim. Estrelas desaparecem em sonhos. Deixo cair as estrelas das minhas mãos e o céu me banha de céu, de estrelas. Morri dizendo: ainda estou aqui.