A consciência é como eu me parecer comigo. Minha consciência é o outro sem mim. Não pareço com a consciência por ter consciência da consciência. Amar é a falta dentro de mim que me faz viver, como se a morte fosse a falta de Deus. Onde começa o amor? Numa falta? Numa agonia? Amor é conseguir pensar na distância que separa o real do sonho e me emocionar. A falta é a demora do tempo numa vida que tem pressa. Nenhuma consciência tem vida no meu amor. Meu amor é tanto que a consciência perde a si mesma. Sem ter consciência, o que sou? Há um desnível de mim até na consciência. Momentos sou toda eu, momentos sou ninguém. É mais fácil amar o nada que me amar. O nada pode ser o que quiserem. Eu oscilo em mim, afundando no amor eternizado. Eternidade é calma em sofrer. Nem a eternidade me faz ser ou não ser. É algo que apenas eu posso fazer, mesmo com minha ausência absoluta. Para mim, luz e escuridão não se misturam, se tocam, sendo a mesma coisa. O contrário do ser é alma. Não há o contrário do adeus. Não consigo me despir do adeus do meu corpo, mas me despir da falta de mim é impossível. Me despi da falta de Deus. Deus nasceu em mim. Me vesti da minha alma para ser eu. Acredito que a vida é boa até na minha morte, pois existe Deus. Mas alguém sabe o que é a existência de Deus? Ninguém sabe. Talvez nem Deus saiba.
