O descanso da alma e seu sono é anormal. Seu sono é sua presença. Minha presença é morrer despertando. Existe o normal? O normal de ser normal é a diferença do ser. O que regula o ser é a morte, a única que não me condena. O meu ser me condena. A vida me condena por eu ser diferente. Quem é capaz de conciliar o ser com o normal? A morte é a única coisa normal, benéfica, ajuda a evoluir o tempo e o meu ser. A vida é tão anormal que a vivemos e ela deixa de ser normal por mim. O que um dia foi a vida? Um descuido? Nem o silêncio quer a vida. Me comovo sem nada de comoção. Talvez seja o amor da alma por mim, ou, então, chegou o instante de eu morrer. Apenas um instante, nada demais.
