Trocar de alma na pele é transcendência da poesia. Deus é presença sem ser presença. No auge de sua morte, Jesus se deixa levar. Não sabe para onde vai a morte, se a morte tem um destino. Sinto, no destino, o ser. Sonho com a pele sem sabotar o corpo. O corpo acorda quando durmo. O ser é a indiferença da indiferença da alma a conduzir o universo no vazio. Eu saboreio até as palavras vazias, que são, também, vida. O retrato da vida é esquecer na memória onde fica toda eternidade de esquecer. Essa eternidade é o auge de Deus. Tudo é o sempre na totalidade do nada que se abraça como se abraçasse a Deus. A falta de pele une meus pedaços para deixar-me no mar, lembrança eterna de mim, onde meu amor é tanto que silencio. Agora, o viver existe em mim como sendo a liberdade do mar. Gratidão de Deus em mim. Deus é a única pele que respira o meu ser sem pele.
