Blog da Liz de Sá Cavalcante

Vivo do som que não escuto

Ver é viver em toda voz, em toda cor, em todo ser. Viver é mudar de alma. Ser um monólogo é como conversar com alguém no cheiro, na lembrança, na estranheza. Conversar é diferente da fala. Ser é ser entre ele mesmo e sua luz, sua força. Vivo do som que não existe na voz. Som é sentir, é ser tão pequena de tanto sentir, me esquecendo num corpo. Meu corpo invade o meu amor, minhas poesias, até eu ser uma estátua a admirar o meu amor. Será admirar melhor do que amar? Que é o encantamento que desce das águas e se torna a minha pele? O que dei de mim a minha pele? Meu mormaço de dor. A pele é o meu sono, meu despertar sem corpo, alma. A pele tecendo as emoções como ar, em um respirar de desalento, por voltar a ter corpo no que sinto: ar. Somente ar.